Rapidinha
Enquanto isso, eu fico aqui trabalhando e torcendo para que a clonagem de redatores se torne logo uma realidade prática e acessível, já que dias de 100 horas são pedir demais.
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Inrepentino. Assúbito. Desmomentâneo.
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_______________. (subst.): 1.Gratidão profunda por ações futuras. 2.Antecipação nostálgica. 3.Saudade intensa de situações ainda não vividas. 4.Desejo ardente de repetir o que ainda não se fez, ou de rever quem ainda não se viu.
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É o nome da nova série policial de rede ABC, recém-chegada à TV brasileira por meio do canal FX. A trama é centrada no personagem Sam Tyler (Jason O'Mara), um detetive que é atropelado durante uma perseguição em 2008 e se vê transportado no tempo até a Nova York de 1973.
Ele leva a pancada, cai no chão, desmaia, abre os olhos e está lá, inteirão, 35 anos atrás, sem nem mesmo o clichê de aparecer numa época vestido com as roupas de outra. Isso porque, contrariando a lógica hipotética da viagem no tempo, o sujeito já acorda no meio da rua com calça boca-de-sino e gola volta-ao-mundo. O momento "oh" se dá quando ele, recém-desperto e ainda meio sem entender o que se passa, ergue os olhos e vê as Torres Gêmeas do World Trade Center reluzindo ao amanhecer.
O chefe da delegacia onde ele vai trabalhar (sim, ele acorda em 73 com um emprego garantido e todos os documentos em dia) é interpretado pelo Harvey Keitel. Grande cara. Foi o responsável por me dispor a assistir ao primeiro episódio. E acho seguro dizer que eu gostei.
O que parece spoiler nesse caso não é: já no episódio de estreia, Sam conclui que na verdade continua em 2008, em coma, e que no fim das contas está sonhando tudo aquilo. Ele vê os médicos tentando falar com ele pela TV e ouve a voz de entes queridos no rádio do carro. Em cima dessa premissa é que toda a série se constroi, e eu estou curioso para ver como isso será feito.
Quem já tiver assistido aos episódios seguintes, por favor, não estrague. E, aliás, se por acaso eu ainda tiver seis anos de idade e continuar em coma na UTI do Hospital Regina em Novo Hamburgo, também evitem me contar. Esta doideira que eu venho chamando de vida anda melhor a cada dia, viu?
A segunda notícia fala sobre o Twitter, que no mês passado viu seu tráfego mais do que duplicar. Não sei exatamente por que razão, mas essa notícia circulou meio silenciosamente pela rede. Talvez porque o passarinho azul tem estado tão na boca do povo de uns poucos meses para cá que esse tipo de informação já não surpreenda muito.Marcadores: labuta, notícias, publicitando, twitter
Eu sei mais do que você. Convença-me do contrário.
Sério. Sou um sabe-tudo. Um desses bem insuportáveis. Sou parte do odiado grupo de pessoas que se acham melhores que as outras porque são mais informadas, pensam mais criticamente e se preocupam em defender seus pontos de vista de forma agressivamente convincente. Nós, sabe-tudos, somos assim. Dizemos “você está errado e eu vou provar” com grã alegria. Com um sorriso na cara. E não descansamos.
Se você não é um de nós, deveria ser. Aliás, se não é um de nós, está fazendo mal a todo mundo. Por favor, pare agora mesmo e dê meia-volta. É urgente.
O maior problema do Brasil não é a crise, a desigualdade, o governo do Fulano, do Cicrano, do Beltrano ou do Zé da esquina.
Aliás, vamos manter as coisas simples. O Brasil tem um único problema. Um só. Unzinho.
O problema do Brasil é que as pessoas têm nojo de gente sabida. Gente pedante. Gente sabichona. Não querem nem de longe ser vistas como parte dessa laia. Deus me livre e guarde de ser um sabe-tudo.
Desconhecer é o novo preto. É daí que vêm – e é assim que se perpetuam – o voto errado, o ciclo de pobreza, a falta de oportunidade, o poder paralelo, a celebridade vazia, a Lei de Gérson. Brasileiro odeia gente que sabe demais. Você inclusive. Até eu.
Além de ser sabe-tudo, metido, pedante, um sujeito de arrogância intragável, eu tenho outra característica odiosa. Eu extraio grande prazer intelectual do saber amplo. Das últimas descobertas em neurociência e psicologia evolutiva. Dos dados mais recentes sobre os satélites de Saturno. Da concepção quadridimensional do universo de Einstein.
Odeie-me. Deseje que eu morra. Seja um típico brasileiro orgulhoso. Quem sou eu para dizer que você está errado? Quem sou eu pra tirar você do berço esplêndido, do conforto fetal da ignorância? Da humildade, da louvável escola da vida? Ah, a escola da vida...!
Uma vez um sujeito me disse, apagando o cigarro e soprando a fumaça filosoficamente, existencialistamente, eu-li-a-contracapa-do-Zaratustramente:
– Não viaja, cara. Não existe verdade absoluta.
E eu:
– Não mesmo?
– Nop.
– Isso não pode ser verdade.
– Mas é, cara. Todo saber humano é regido por ideologias com as quais estamos comprometidos, cara. O que é verdade pra você pode não ser pra mim, cara. Tudo é relativo, cara.
– Não, não, não está me entendendo. Eu me refiro à frase "não existe verdade absoluta". Ela não faz sentido. É uma afirmação logicamente inviável. Porque pra ser verdade, ela tabém não pode ser absoluta. Precisa prever uma exceção a si mesma. E a única exceção possível para a regra "não existe verdade absoluta" é, bem... a existência de alguma verdade absoluta. Assim, para estar certo, você precisa estar errado.
– ...
– Pois é. Ahn... "cara".
Eu digo: não negue o absoluto. O absoluto é lindo. Dois mais dois são lindamente quatro. Sempre vão ser. O hidrogênio é lindamente o elemento químico mais leve do universo, hoje e sempre. "Ah, mas podem descobrir um mais leve que ele a qualquer momento", responde o imbecil mais próximo. Não, não podem. E se você não sabe o motivo, eu estufo meu peito e digo: sou melhor que você. Melhor não (só) para mim. Melhor para todos.
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